terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O ARTISTA









O ARTISTA foi a minha primeira peça encenada, na qual actuei e encenei. Foi escrita por mim.
Realizou-se nos dias 23 e 24 de Julho de 2009, na Associação Recreativa dos Restauradores Brás-Oleiro.
Foi uma peça com um novo estilo teatral original: chamei-lhe o "gótico-terrorífico". Todas as personagens possuíam um vislumbre negro e os acontecimentos em palco eram, de certa forma, uma cascata de acontecimentos trágicos e morais que se sucediam em encadeamento. As falas eram directas, mas com um requinte artístico.
Cada personagem tinha a sua maneira de ser, cujas personalidades variavam: os humildes, os inocentes, os violentos, os sarcásticos, os boémios, entre outros. Cada uma tinha uma missão importante na peça - a moral que deveria expor.

Foi uma peça bastante difícil de escrever, devido aos assuntos tratados. Não foi feita "em dois dias". Baseou-se em pesquisas, testemunhos verídicos e muita ponderação da minha parte. Foi a vontade da alma que falou mais alto.

A temática não é nova para ninguém, mas aqui somos obrigados a ver o mundo tal como ele é e as consequências de qualquer acto que possamos vir a fazer para o tentar mudar. Quantos de nós já não fomos assaltados, agredidos, e até já estamos cansados de ouvir tantas notícias relacionadas com guerras, crise e tudo mais... Quantas das vezes já não desejamos a mudança, ou até vingança?... Nesta peça, existe uma alma revoltada que cumpre todos esses desejos e faz o que muitos de nós não teríamos coragem para fazer: uma revolução contra a criminalidade! Uma revolução que invoca o maior terror da história. É que na verdade, a dita "revolução" é uma revolução de actos e não de palavras. Vemos, a partir dali, consequências terríveis...








Sinopse: A história toma lugar na Rússia, numa vila nas redondezas de Moscovo. Um rapaz pobre, Vander, vagueia pelas ruas pedindo a quem passa, até ao momento em que se encontra com um homem que lhe vai revolucionar a vida, Clóvis Montemor. Esse mesmo homem, fora outrora um professor universitário de Artes galardoado, que acabou por ser despedido graças à sua assustadora ideia de fazer um quadro com sangue humano, de modo a pregar ao mundo as suas crueldades. Essa mesma ideia tornou-se uma doença mental e é então que Clóvis tenta aproveitar-se do pobre mendigo para o ajudar na sua obra. No entanto, tudo muda no dia em que Vander conhece Ardemor e Yuri, dois músicos de rua que foram, outrora, alunos de Clóvis e que acabam por lhe mostrar a verdadeira faceta do seu "mestre" e mostrar-lhe como a vida pode ser aproveitada, independentemente da crise e transgressões que o mundo vive. Vendo o seu "discípulo" escapar-lhe pelos dedos e a situação e degradação do mundo a piorar, Clóvis cansa-se e incutido pela tentação de uma estranha rapariga que lhe aparece na rua, que se diz ser Lúcifer, consegue reclamar a atenção e colaboração do povo da vila para efectuar purgas pelos criminosos que nela vivem escondidos. O terror não tarda a espalhar-se e a revolucionar a imagem de quem assiste a tal acontecimento! Depois daquela noite, o ser humano passará a ver que o seu medo pela criminalidade e crise não passam de uma mera barreira ilusória que pode ser destruída com a "cooperação" da sociedade... uma luz ao fundo do túnel... um túnel que nos leva a uma história de carácter terrorífico e ilusório, mas com possibilidades de concretizações reais.




A minha personagem era precisamente Clóvis Montemor - atrás do Vander.
É uma personagem com uma carga psicológica bastante grande. É preciso energia, raiva, ódio, expressões faciais demoníacas e sarcásticas. É típico dele andar sempre com o seu bastão de séc. XIX. Veste-se sempre de negro e delira com a morte da amada Bianca, sua namorada, causa da sua paranóia. A sua voz exprime uma tonalidade de disciplina e medo. Tem de ser reconhecível a qualquer um que a ouça. Várias vezes fiquei com a boca seca de tanto gritar e os movimentos violentos dele não perdoavam à minha resistência xD. Contudo, o papel saiu-me bem!


Falarei mais sobre a constituição da peça depois.
Vou dedicar este meu blog aos estudos artísticos, nomeadamente arte teatral, assim como aos meus projectos tanto pessoais como de estudos de Línguas e Culturas Orientais - na qual, neste momento, frequento a Licenciatura.
Porquê o titulo "Onírico" para o blog?
O mundo onírico (nomeadamente dos sonhos) foi a base de muitos trabalhos artísticos que hoje conhecemos, principalmente de pintores surrealistas. É um mundo de intelectualidade inexplicável, onde vivem os nossos desejos e medos. Por definição própria, o onirismo advém da palavra grega que significa "sonho": é um modo de actividade mental que se instala em síndromas confusionais e é, especialmente constituído por alucinações visuais.
A verdade é que é nesse mundo onírico que crio todos os meus projectos. Cada personagem que invento nasce dele - por vezes chego a sonhar com elas =P e é aí que estudo o seu comportamento. Ao inicio elas nascem sem um enredo vital, só com umas pinceladas de personalidade aqui e ali, nada mais. Com o tempo tornam-se mais claras: começam a aparecer as cores que as simbolizam e a maneira de vestir - sempre tive tendências para um estilo clássico misturado com alternativo (isto é, um estilo que eu próprio crio) que basicamente simboliza a substancia artística delas. A partir daí surge o contexto em que elas vivem - a sua história biográfica.
Isto é apenas uma parte de como construo as minhas histórias e personagens, tanto de dramatologia como de poesia - tendo já publicado duas obras.
Com este blog, este meu lado de "bastidores" tornar-se-à mais claro para quem o quiser conhecer evidentemente. É um lado que acho complexo e de certa forma "onírico". =)

Se há coisa que adoro é, sem duvida, a arte teatral. Estudo bastante, vejo e tento compreender. Construo e enceno sempre que possível. Há quem pense que o teatro é uma vertente artística um tanto fútil, mas não... No meu entender, é a pura "arte humana". Trata-se de uma passagem
do imaginário para a vida real. E como a arte tem as suas dificuldades e estéticas, o teatro tem-las e nada fáceis de projectar. Não basta sentar-mo-nos na frente de uma mesa, pegar num papel, caneta e escrever o que dita a alma, não... Há que ter a visão dos episodios transcritos: o estudo comportamental e corporal da personagem - eu por exemplo desenho as personagens que crio para estudar a sua estética- os cenários, o acompanhamento musical, marcações, nível de percepção - se queremos um texto directo ou com linguagem mais artística - entre outros métodos que são as já conhecidas regras teatrais. Contudo eu próprio crio as "minhas regras" e faço do meu teatro um teatro livre e talvez seja daí que eu apanhe o gosto pelo que escrevo e que o próprio publico também parece gostar.
Tenho estudado o porquê da morte do teatro actual, o que o mata e o que lhe falta... É tudo isso que combato quando escrevo uma peça. Não sou profissional, pelo contrario, faço tudo na minha humildade: falo teatro, escrevo teatro, respiro teatro, penso teatro. Tudo fruto do onírico.

Porquê a imagem do anjo?... Eles são os meus seres predilectos e nos quais acredito. Identifico-me em parte com eles. O seu místico, a sua transfiguração mundana, a imagem idealizada são coisas que me deixam deslumbrado. Impressiona-me a luta entre anjos e demónios, um retrato artístico que me serve de inspiração para certas coisas que escrevo.

É esta a essência do meu blog. Partilhar com quem quiser os meus projectos e dá-los a conhecer na sua intimidade.