O ARTISTA foi a minha primeira peça encenada, na qual actuei e encenei. Foi escrita por mim.
Realizou-se nos dias 23 e 24 de Julho de 2009, na Associação Recreativa dos Restauradores Brás-Oleiro.
Foi uma peça com um novo estilo teatral original: chamei-lhe o "gótico-terrorífico". Todas as personagens possuíam um vislumbre negro e os acontecimentos em palco eram, de certa forma, uma cascata de acontecimentos trágicos e morais que se sucediam em encadeamento. As falas eram directas, mas com um requinte artístico.
Cada personagem tinha a sua maneira de ser, cujas personalidades variavam: os humildes, os inocentes, os violentos, os sarcásticos, os boémios, entre outros. Cada uma tinha uma missão importante na peça - a moral que deveria expor.
Foi uma peça bastante difícil de escrever, devido aos assuntos tratados. Não foi feita "em dois dias". Baseou-se em pesquisas, testemunhos verídicos e muita ponderação da minha parte. Foi a vontade da alma que falou mais alto.
A temática não é nova para ninguém, mas aqui somos obrigados a ver o mundo tal como ele é e as consequências de qualquer acto que possamos vir a fazer para o tentar mudar. Quantos de nós já não fomos assaltados, agredidos, e até já estamos cansados de ouvir tantas notícias relacionadas com guerras, crise e tudo mais... Quantas das vezes já não desejamos a mudança, ou até vingança?... Nesta peça, existe uma alma revoltada que cumpre todos esses desejos e faz o que muitos de nós não teríamos coragem para fazer: uma revolução contra a criminalidade! Uma revolução que invoca o maior terror da história. É que na verdade, a dita "revolução" é uma revolução de actos e não de palavras. Vemos, a partir dali, consequências terríveis...
Sinopse: A história toma lugar na Rússia, numa vila nas redondezas de Moscovo. Um rapaz pobre, Vander, vagueia pelas ruas pedindo a quem passa, até ao momento em que se encontra com um homem que lhe vai revolucionar a vida, Clóvis Montemor. Esse mesmo homem, fora outrora um professor universitário de Artes galardoado, que acabou por ser despedido graças à sua assustadora ideia de fazer um quadro com sangue humano, de modo a pregar ao mundo as suas crueldades. Essa mesma ideia tornou-se uma doença mental e é então que Clóvis tenta aproveitar-se do pobre mendigo para o ajudar na sua obra. No entanto, tudo muda no dia em que Vander conhece Ardemor e Yuri, dois músicos de rua que foram, outrora, alunos de Clóvis e que acabam por lhe mostrar a verdadeira faceta do seu "mestre" e mostrar-lhe como a vida pode ser aproveitada, independentemente da crise e transgressões que o mundo vive. Vendo o seu "discípulo" escapar-lhe pelos dedos e a situação e degradação do mundo a piorar, Clóvis cansa-se e incutido pela tentação de uma estranha rapariga que lhe aparece na rua, que se diz ser Lúcifer, consegue reclamar a atenção e colaboração do povo da vila para efectuar purgas pelos criminosos que nela vivem escondidos. O terror não tarda a espalhar-se e a revolucionar a imagem de quem assiste a tal acontecimento! Depois daquela noite, o ser humano passará a ver que o seu medo pela criminalidade e crise não passam de uma mera barreira ilusória que pode ser destruída com a "cooperação" da sociedade... uma luz ao fundo do túnel... um túnel que nos leva a uma história de carácter terrorífico e ilusório, mas com possibilidades de concretizações reais.
A minha personagem era precisamente Clóvis Montemor - atrás do Vander.
É uma personagem com uma carga psicológica bastante grande. É preciso energia, raiva, ódio, expressões faciais demoníacas e sarcásticas. É típico dele andar sempre com o seu bastão de séc. XIX. Veste-se sempre de negro e delira com a morte da amada Bianca, sua namorada, causa da sua paranóia. A sua voz exprime uma tonalidade de disciplina e medo. Tem de ser reconhecível a qualquer um que a ouça. Várias vezes fiquei com a boca seca de tanto gritar e os movimentos violentos dele não perdoavam à minha resistência xD. Contudo, o papel saiu-me bem!
Falarei mais sobre a constituição da peça depois.
